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Cachorro com medo de fogos, o que fazer? Siga estas dicas para reduzir o stress

Festas e eventos costumam ser sinônimo de fogos de artifício, que acabam incomodando nossos bichinhos. Aprenda como ajudá-los a lidar melhor com o barulho!

Cachorro com medo de fogos, o que fazer? Siga estas dicas para reduzir o stress

Além das festas de fim de ano que se aproximam, 2022 nos traz também um dos eventos mais esperados do ano: a Copa do Mundo.

Uma preocupação constante é o comportamento que os pets apresentam em relação aos fogos de artifício. Muitos dos animais têm verdadeiro pavor do barulho e fazem de tudo para tentar amenizar o pânico que os fogos causam.

Isso se dá pois o cão na sua fase de socialização usualmente não é apresentado a sons como estes que são, em certa medida, raros. Outro fator importante é o espectro de audição dos cães que é 3 vezes maior que a nosso, e capta o som com 4 vezes mais intensidade.

Um exemplo: um som que nós humanos captamos a 50 metros da origem, um cão saudável irá captar a 200m, com 3 vezes mais riqueza de detalhes, especialmente ultrassons. O cão consegue ouvir uma lâmpada de Led no poste, por exemplo, ou o relógio de quartzo do microondas naturalmente.

Por estes e outros motivos, perante um estímulo tão forte quanto fogos de artifício, os comportamentos variam desde cavar buracos para se esconder, fugas desnorteadas e até convulsões. A tendência é que, quando não dessensibilizados, que eles procurem por lugares que os acolham e se sintam seguros. Por estes motivos, é necessário todo cuidado e proteção para que se sintam acolhidos.

Para ajudar a amenizar o problema, fizemos este breve manual para te ajudar a dessensibilizar o seu companheiro com o barulho dos fogos, de maneira que tenhamos um processo para associar o barulho com algo positivo. Lembrando que, quanto mais cedo este protocolo for implementado, melhor. Mas serve sem dúvida alguma para qualquer idade!

Passo 1 –  Preparando o ambiente

  • Se planeje para o treinamento em um momento com poucas chances de fogos de artifício ou risco de tempestade. É importante manter o ambiente controlado e sem grandes distrações para o momento do treino.
  • Caso tenha mais de um cão em casa, comece a treinar isoladamente com cada indivíduo, garantindo que os outros estejam longe e protegidos da fonte de som;
  • Prepare uma caixa de som que tenha alguma potência. A TV pode ser uma opção, mas, quanto maior a potência, melhor pois permitirá  um treino com vários níveis de dificuldade e maior controle de volume;
  • Como as dicas valem tanto para cães com medo de fogos de artifício quanto cães com medo de tempestades, abaixo temos 2 vídeos com gravação em alta definição para usar em qualquer uma das situações;

Fogos de artifício

Tempestade

2 – Primeiros passos

Ambiente preparado, tudo certo para começar! Importante ter em mente que frequência é mais eficaz que a intensidade. Desta forma, treinos mais curtos e com maior frequência trarão resultados melhores;

  • Inicialmente, coloque o som para tocar baixinho e a cada estouro pause e ofereça uma recompensa de alto valor, um petisco saboroso, um pedaço de frango ou queijo fazem muito sucesso! Ofereça tamanhos pequenos para que a associação seja imediata. O objetivo aqui é garantir que o som seja associado a algo extremamente prazeroso;
  • Observe se seu cão está confortável com o volume e repita por algumas vezes o processo, sem alterar o volume. Recapitulando: Play – Som de fogos – Pause – Recompensa imediatamente após a pausa;
  • Faça 10 a 15 repetições, não mais que isso e finalize o treino. Quanto mais vezes conseguir repetir o procedimento, melhor. Pode ser no mesmo dia, com intervalo mínimo de 2h entre os treinos ou entre um dia e outro. A frequência é a chave do sucesso!

Passo 3 – Aumente a dificuldade

Com a habituação do cão ao processo, podemos iniciar agora o aumento da dificuldade para que, no momento que o evento ocorrer na realidade, o cão esteja preparado;

  • Seguindo o mesmo processo do passo 2, vamos aumentar o volume pouco a pouco durante as sessões. É muito importante que o cão esteja confortável com o volume e receba a recompensa de forma ativa e sem receios. Caso perceba algum desconforto ou desconfiança, volte ao volume que ele já está habituado e continue os treinos. Isso não é nenhum problema e nem retrocesso, é parte natural do processo;
  • Aumente o volume de forma gradativa a cada 3 sessões;
  • O volume final deve ser o mais parecido com a realidade do cão possível. Lembrando que é muito importante que a recompensa seja atrativa e que o cão esteja confiante e confortável no processo, não pule etapas, isso só atrasará a evolução;

Prontinho! Com a implementação da rotina de treino e ambientação correta, o barulho deixará de ser um vilão e passará a ser um gatilho de um delicioso petisco e de um momento de interação com você! Nada mais recompensador, não acha?

Quando os fogos ocorrerem de verdade, aproveite para colocar tudo em prática! Esteja com petiscos sempre a mão para oferecer em todas as oportunidades de fogos reais. Cuide bem do seu amigo nessas horas, ele precisa de você e a dessensibilização vai ajudar vocês a terem mais paz nestas horas de tanto estresse. 

As dicas acima são, de forma geral, bastante eficazes para este tratamento. Mas caso esteja encontrando dificuldades, procure um profissional.

E é sempre bom lembrar: não solte fogos de artifício! Nossos peludos e toda fauna de pássaros e outros animais que coabitam os espaços conosco agradecem!

Ivan Boesso

Ivan Boesso

Adestrador, formado no Instituto Britânico de Adestradores Profissionais (BIPDT) e nos cursos de adestramento do mestre Dennis Martin. Apaixonado por cães, pai de 4 vira-latas resgatados. Cada um deles chegou com problemas de comportamento tão diversos que se tornaram verdadeiros mestrados em adestramento! Fundador da marca O Cãoselheiro e entusiasta de tecnologia.



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